Uma palavra define esse trampo: SENSACIONAL.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Sobre Leituras
No Best Seller - Em Busca de Sentido: Um psicólogo no campo de concentração, o autor Viktor Frankl (1905/1997) narra com extraordinária riqueza de detalhes o longo período vivido sob o domínio do regime nazista. O autor que é médico e psiquiatra (ex-aluno de Freud), constrói sua narrativa com propriedade não apenas acerca do sofrimento em decorrência dos castigos impostos a ele e seus companheiros enquanto nos campos de concentração, como também, avalia os impactos psicológicos observados por ele enquanto naquele ambiente. Frankl, não aborda apenas o sofrimento e o tratamento desumano recebido ali, vai além, sua obra é sobre superação, como superar o sofrimento frente a pior das condições. Livro denso, leitura indispensável. Viktor esteve no Brasil em três ocasiões, numa delas em 1984, falou ao público sobre sua obra e descobertas, é possível encontrar no youtube.
Abaixo uma breve entrevista onde o autor fala sobre o sofrimento.
#LoveWins
Não se pode discutir o amor. Amor não tem barreiras, não tem fronteiras, muito menos gênero.
Amor é amor.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Será que o bom senso morreu com o respeito?
Na manhã de quarta-feira, 24 de junho, acordamos com a
triste notícia do acidente automobilístico envolvendo o cantor Cristiano Araújo.
Num primeiro instante havia uma corrente de oração pelo restabelecimento de sua
saúde. Porém, tínhamos informações desencontradas sobre seu atual estado de
saúde. O que se sabia até então era que sua companheira de apenas 19 anos que o
acompanhava na ocasião não havia resistido aos ferimentos e veio à óbito no local
do acidente. Passadas algumas horas do acidente a notícia que todos não queriam
veio a se confirmar; o jovem cantor de vinte nove anos também não resistiu e
morreu.
A morte de um artista seja aqui ou em qualquer lugar do
mundo sempre gerou conflitos. De um lado os fãs que seguem todo ritual de
homenagens contando sua relação com aquele artista e, do outro lado, os não fãs
em sua maioria (maioria não é todo mundo), observam com desdém a manifestação
alheia.
O principal questionamento dos não fãs era um só: Precisa
de tudo isso por conta de uma pessoa só?
Se observarmos nesse aspecto basta então lembrar que quando
na morte do Michael Jackson, além da cobertura total em torno de sua morte, seu
velório fora transmitido ao vivo mundialmente. Daí você pode naturalmente se
espantar e questionar:
Caro, você vai mesmo comparar um cantor sertanejo com
Michael Jackson? Evidente que não, a questão aqui não é o peso do
reconhecimento musical, mas a circunstância.
E qual seria neste caso? Ambos inegavelmente são artistas
reconhecidos pelo seu público por mais distinto que seja o gênero musical onde
atuam. O fato é que existe uma verdade que precisa também ser exposta frente ao
acontecido. Há um forte preconceito com a música sertaneja no brasil e não é de
hoje, o desdém não é com ser humano que perdeu a vida, mas sim pelo reconhecimento
dado a alguém que esteve à frente de um gênero musical que para uma parcela é
irrelevante.
A tese é irrefutável quando observamos comentários do tipo:
"Artistinha" "Zé ruela" "Cantorzinho"
"Sertanojo". Houve quem questionasse se a comoção não seria
exagerada: "Cristiano o quê" "nunca ouvi e nem vi" "era
tão famoso assim?". Fato é que o artista é sucesso e sua música alcançou
milhões de pessoas em todo país, quer você goste ou não. A verdade é que muita gente tentou
desqualificar o artista dentro da seara do gosto individual, mas acabam se esquecendo
de que gosto não é discutível.
Entretanto, o motivo do escrito vai além da questão de ser
ou não tão famoso assim.
Chamou-me atenção à exposição gratuita de imagens do
acidente e depois dele. Não só a rede social como também via whatsapp
tornaram-se um IML ambulante. Imagens chocantes expondo principalmente o corpo
do rapaz. Era como se fosse um prêmio registrar o "artista" morto. No
começo da noite notei que havia no celular um vídeo que parecia ser a autópsia
- procedimento comum nessas ocasiões. Apaguei de imediato sem vê-lo.
Para mim é doentio, horrendo. Fiquei tão enojado que apaguei
meu perfil da rede social para não me deparar com nada relacionado a isso.
Essas pessoas precisam fazer tratamento psicológico, não podemos considerar
este comportamento normal. Além disso, quem estava exposto ali não era o "artista". O artista acaba quando desce do palco. Quem está ali é um
ser humano, um de nós, alguém que tem família como nós. Pai, Mãe, irmã e filhos. Faltou
respeito e sensibilidade com o sentimento de dor de quem perdeu alguém
especial.
Confesso que estou até o momento perplexo com tamanho desrespeito. Não retorno a rede
social tão cedo. A propósito, o abandono da rede social é o próximo tema que pretendo explorar aqui numa próxima ocasião.
É isso!
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Blog Music
Incrível a performance vocal deste grupo. Michael Jackson é de longe o maior artista da música Pop. Inigualável, uma sumidade musicalmente.
Mensagem
Acredito que não seja necessário adicionar absolutamente nada a essa fala. Conselho valioso em tempos de "amores" liquidos.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Sobre a morte e o morrer
É difícil (para não dizer impossível) sugerir qual texto é o mais encantador, profundo, reflexivo desse autor que amo de paixão.
Compartilho este. Boa leitura.
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora…
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar…” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto…”
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa…”
Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados “recursos heróicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei…”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Fonte. Folha de SP.
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