segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Menos solidário... menos humano.

Há dois dias tivemos aqui na cidade onde moro um evento realizado pela Prefeitura em razão do aniversário da cidade. Evento este que se tornou tradicional, mobilizando toda região. A festa é promovida na praça para que todos possam desfrutar. Nesse dia há uma grande aglomeração de pessoas de todos os cantos. Como se trata de um show específico com gênero determinado pelo gosto da maioria, a tendência é uma concentração ainda maior de pessoas. Para mim este tipo de evento tem como finalidade juntar multidão e só. Deixando de fora o momento que podemos nos divertir e rever nossos amigos, colegas e conhecidos, este tipo de evento tem como finalidade apenas uma grande celebração do exibicionismo de grupos. 

Não estou fazendo uma crítica ao evento promovido aqui onde moro, a crítica é no como as pessoas se comportam nesse tipo de evento. Aliás, o evento estava de bom gosto para maioria daqueles que lá estiveram. Num determinado momento da festividade um amigo comentou depois de retornar de um “rolêzinho” que havia uma pessoa inconsciente numa calçada e demonstrou espanto ao observar que todos passavam por essa pessoa e a pulavam. Sim, pulavam como se essa pessoa fosse um obstáculo. Pedi a ele para me levar no local e para lá fomos. 

A cena era de perder a fé no outro. 

Há uns cem metros do local onde estava sendo realizado o evento uma pessoa caída de bruços e uma intensa movimentação de pessoas que indo para lá enquanto outros iam ao sentido contrário. Todos pulavam a pessoa no chão ou no máximo uma olhadinha para constatar (não conheço) e seguia seu rumo. Quando me aproximei da pessoa e me abaixei para ajudar, dali em diante ela ganhou vida, dignidade e todos foram lá ver o que estava ocorrendo. Era uma mulher que me parecia bastante alcoolizada. Conversei com ela com calma e ela alegou que estava mal e pediu ajuda. Perguntei a ela se conseguia levantar com nosso auxílio para sair daquele local e ela sinalizou que sim. Então a levantamos e caminhamos uns 15 passos até a ambulância que encaminhou para Santa Casa. 

Confesso que fiquei pasmo quando cheguei e vi as pessoas pulando e seguindo sua jornada. Fico me questionando: Qual é o preço de tentar ajudar? Tem medo, algum receio? Tem policiamento no local, basta notificar. Bombeiros no local, dar uma passada lá e informar? 

Talvez por este motivo que não é o primeiro que vejo que acabei criando uma aversão por esse tipo de evento. Vou mesmo para cumprir meu papel de marido companheiro e amigo.

Fiquei horrorizado, podia ser um amigo, um colega, um conhecido distante ou até mesmo um estranho como era o caso. Mas era alguém igual a mim.
É bom lembrar que é bastante comum o exagero na ingestão de álcool nesse tipo de evento, por isso devemos ficar atentos àqueles amigos que às vezes passam da conta. Aliás, a causa também poderia ser outra. 

Ajudar o outro seja qual for à circunstância é para mim uma obrigação moral, senão nos tornamos cada vez menos solidários, com menos humanidade e deixamos de observar que só através do outro que nos definimos.

É isso!

Laerte-se

Há muito já havia visto a divulgação do documentário da Laerte. Num primeiro instante não me chamou muito atenção por compreender o conte...