quinta-feira, 4 de agosto de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Trânsito Selvagem

A hipocrisia humana é continua por um simples fato, não reconhecer seus próprios erros. Quando se trata do trânsito atual, a palavra selvagem traduz perfeitamente o cenário atual. O show de horrores causado pelos “motoristas” que assistimos na TV diariamente nos da à resposta para causa de tantas mortes. Falta educação e sobra ignorância, e nós continuamos ignorando essa importante questão. Antes para obter permissão para conduzir um veículo, era necessário fazer aulas praticas durante o dia, o curso, testes psicológicos, a prova final e pronto. Depois de constatarem problemas relacionados à dificuldade de conduzir o veículo à noite, resolveu-se então que, para obter permissão para dirigir, seriam necessárias também aulas de condução durante a noite. Sinceramente, acredito que essas aulas noturnas são benéficas para os motoristas. Ainda que se tente melhorar o ensino de condução, persisto que o problema está na educação do condutor. Não existe respeito, não existe gentileza, o que vemos nas ruas e estradas, é um bando de selvagens que querem chegar aos seus destinos o mais rápido possível. E essa pressa que fique registrado, DESNECESSÁRIA, torna o trânsito mais estressante e violento. Esse último acontecimento passado na TV nas últimas semanas nos da uma visão mais ampla da nossa falta de consciência. Um carro atingir o outro a 150 km por hora dentro da cidade é inexplicável. A TV que é a maior fonte de educação, debatendo sobre quem estava errado. Claro, não podemos ocultar o fato de que a mulher furou o sinal vermelho, mas 150 km por hora? Quando acompanho casos assim, tenho a impressão de que deixamos de usar a cabeça há tempos, só usamos nosso corpo, para além de carregar a cabeça vestir roupas e sentir-se superior, que virou a grande missão humana, o sabor da superioridade. Quando paramos e pensamos, usando a cabeça para o seu real objetivo, fica claro e evidente que o problema está na nossa maior ignorância, o egoísmo. Não acredito ser o único a ter notado isso, mas preste atenção na seguinte questão: Nenhum motorista admite ser parte do caos no trânsito, geralmente ele culpa sempre o próximo. É como geralmente acontece na fila do banco, reclamamos de quem está na nossa frente, mas nunca pensamos em quem está atrás. Quando um carro quebra e bloqueia o trânsito, você xinga e fica fulo da vida, mas quando é o seu carro que quebra e você está diante da impaciência dos demais condutores, você pede calma e compreensão. É da natureza humana esse individualismo, pensamos somente em nós mesmos, mas devíamos olhar o trânsito de forma generalizada. Quando quero chegar logo, devo entender que todos querem chegar logo, quando estou impaciente no congestionamento, todos também estão. Se o congestionamento é causado pelo acúmulo de veículos e você está no meio, deve-se entender que você é parte da causa também. Os acidentes causados pelo excesso de velocidade só tem uma explicação, irresponsabilidade. Quem conduz o veículo acima da velocidade permitida é irresponsável. Sobre a mistura álcool e direção, mais uma vez fica evidente o tamanho da nossa ignorância e falta de respeito pela vida. Enquanto não assumirmos que maior causa das mortes no trânsito deve-se a imprudência humana, a tendência é continuar e piorar. O objeto carro devia ser usado apenas para o necessário, mas hoje notamos que a maioria dos jovens tem o desejo de ter um carro, mais para satisfazer o ego do que para suprir uma necessidade. O bafômetro é risível se formos observar sua aplicação através da lei. O trânsito precisa de condutores conscientes, que entendam que dentro do ambiente trânsito, corremos o mesmo risco. Temos consciência de que precisamos de estradas e ruas melhores, só que mais do que isso, precisamos de mais respeito e educação. Falta o nós por nós, a velha gentileza que gera gentileza, e devemos entender que mesmo dentro de nossos carros, sejam eles importados ou não, grandes ou pequenos, potentes ou não, continuamos humanos.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Sobre Honestidade
Há dias venho planejando falar sobre esse tema. Estive pensando em como poderia abordar essa questão, já que tenho sido vítima da falta de honestidade de terceiros. Primeiro, é importante salientar que, o indivíduo desonesto é aquele que age com má fé, desde o inicio já está intencionado. Esse tipo de pessoa escolhe sua vítima e faz o que já está arquitetado. A honestidade é algo que aprendemos com o tempo, honestidade não se adquiri. Honestidade já vem no pacote da vida, é uma semente que devemos acompanhar a germinação com toda atenção. Esquecemos dos valores fundamentais e passamos a idear a vida de fora para dentro, sendo assim, assimilamos como mais importante ter para ser do que simplesmente ser. Assim, maquiamos nossa vida exterior acreditando que nesse estado de embelezamento constante mostramos o que somos. Acreditamos que somos o valor do nosso carro, a quantia bancária e até mesmo a roupa que vestimos. O maior equívoco humano é se equivaler aos bens materiais. A honestidade se da diante do reconhecimento, de quando estamos equivocados, quando reconhecemos um erro e pedimos desculpa e principalmente reconhecendo quando estamos praticando algo que não está correto. Na maioria dos casos, o sujeito desonesto é intencional nas suas atitudes. Não existe essa de que, eu não sabia que estava cometendo um erro. É necessário que essas pessoas utilizem mais sua capacidade de raciocinar, pensar antes de agir. O desonesto se esquece que tem muita gente olhando seus passos. O pior é que depois de tudo, o desonesto seja ele homem ou mulher, sempre age da mesma forma. Passa por você, cumprimenta e finge que nada aconteceu, ou pior, sempre finge que nunca te viu na vida. Que esse “desabafo” sirva para auto-análise como também para identificar possíveis desonestos que estejam à sua volta. Honestidade assim como respeito e educação são qualidades do ser humano e ao mesmo tempo em que se ensina também é necessário que se aprenda.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Banalização da Informação
Lembrando, que estou falando sobre informações não apuradas, sem mencionar a quantidade de informações irrelevantes que não fazem jus ao que diz respeito à relevância.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Sobre Simplicidade e Sabedoria.
Pediram-me que escrevesse sobre simplicidade e sabedoria. Aceitei alegremente o convite sabendo que, para que tal pedido me tivesse sido feito, era necessário que eu fosse velho.
Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.
No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.
Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.
Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, “as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar.“ O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: “Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: ‘Tudo isso te darei se prostrado me adorares.’“ Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o “muitos“ é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: “De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?“ (Mateus 16.26).
O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: “Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne“ (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: “Cheguei, finalmente, ao lar“. Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.
Diz o Tao-Te-Ching: “Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa.“
Diz T. S. Eliot: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?“
Diz Manoel de Barros: “Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha.“
Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: “A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. “A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, “precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço.“ Mas o sábio está à procura das “coisas dignas de serem conhecidas“. Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: “De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?“ E assim, depois de meditar, escolhe um...
A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.
O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de “Resta...“ Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. “Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas...“ “Resta essa capacidade de ternura...“ “Resta esse antigo respeito pela noite...“ “Resta essa vontade de chorar diante da beleza...“. Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.
As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: “Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás...“ Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.
Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.
Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: “Papai, eu gosto muito de você!“; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: “Veja como estão agradecidas!“ Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.
Diz Guimarães Rosa que “felicidade só em raros momentos de distração...“ Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: “É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai...“ Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Concerto para corpo e alma, pg. 09.)
Rubem Alves
Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.
No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.
Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.
Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, “as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar.“ O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: “Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: ‘Tudo isso te darei se prostrado me adorares.’“ Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o “muitos“ é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: “De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?“ (Mateus 16.26).
O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: “Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne“ (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: “Cheguei, finalmente, ao lar“. Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.
Diz o Tao-Te-Ching: “Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa.“
Diz T. S. Eliot: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?“
Diz Manoel de Barros: “Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha.“
Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: “A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. “A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, “precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço.“ Mas o sábio está à procura das “coisas dignas de serem conhecidas“. Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: “De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?“ E assim, depois de meditar, escolhe um...
A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.
O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de “Resta...“ Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. “Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas...“ “Resta essa capacidade de ternura...“ “Resta esse antigo respeito pela noite...“ “Resta essa vontade de chorar diante da beleza...“. Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.
As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: “Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás...“ Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.
Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.
Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: “Papai, eu gosto muito de você!“; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: “Veja como estão agradecidas!“ Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.
Diz Guimarães Rosa que “felicidade só em raros momentos de distração...“ Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: “É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai...“ Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Concerto para corpo e alma, pg. 09.)
Rubem Alves
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Primeiro da Classe (Front of the Class)

Ontem no final da tarde zapeando os canais na TV, acabei assisto um filme que muito me chamou atenção. Front of The Class, aborda um tema de extrema importância, porém ainda desconhecido pela nossa sociedade, a sindome de tourette. Particularmente, também desconhecia essa sindrome, e o filme vai de encontro com nossa falta de informação sobre a doença.
"A síndrome de Tourette ou síndrome de la Tourette, também referida como SGT ou ST, é uma desordem neurológica ou neuroquímica caracterizada por tiques, reações rápidas, movimentos repentinos (espasmos) ou vocalizações que ocorrem repetidamente da mesma maneira. Esses tiques motores e vocais mudam constantemente de intensidade e não existem duas pessoas no mundo que apresentem os mesmos sintomas. A maioria das pessoas afetadas são do sexo masculino."
Importante ressaltar que o filme é baseado em fatos reais. O filme retrata todo preconceito enfrentado por Brad Cohen (Jimmy Wolk) desde a sua juventude até a vida adulta, inclusive sendo maltratado pelo próprio pai. O Filme emociona do ínicio ao fim, vale ser visto com a família, é um belo material para educadores também. Confesso que em vários momentos é difícil conter as lágrimas, é um filme muito bem feito, filme muito bonito.
Fica a dica.
Alguns trechos do filme.
p.s. Em inglês sem legenda. Ainda assim vale assistir pra ter uma ideia sobre o filme.
Reconstrução da capacidade humana
De uns tempos para cá, tenho pensado muito a respeito dessa transformação do mundo. Quando é que iremos despertar para o real motivo da existência? Cada vez mais vivemos a vida de maneira inversa. Conversando esses dias com duas pessoas, estávamos analisando nossas atitudes diante da vida, coisa que pouco fazemos. Hoje, acreditamos que temos que vencer na vida, e esse vencer é sempre pela recompensa monetária. Trabalho digno se tornou específico, antes se tivéssemos um trabalho éramos dignos, mas hoje, se não for um trabalho obtido através de um diploma, não. Estamos assistindo o fim da infância como se fosse um acontecimento comum. Crianças que não brincam como crianças, algumas com responsabilidade de adultos. Ausência de humanidade, amor pelo dinheiro, esse que parece ser a solução para todos nossos problemas. Antes, reconhecíamos um homem pelo seu caráter, já hoje, reconhecemos um homem pela roupa que veste ou pela quantia bancária. O humanismo está em segundo plano, estamos exaltando e valorizando tudo aquilo que não nos servirá para nada amanhã. Estamos ignorando nossa capacidade humana, construímos máquinas e mais máquinas, a tecnologia voa diante do desejo do homem, mas quando se trata de nós por/para nós, tenho a sensação de que demos cinco passos e estacionamos. Já estamos passando dos limites da estupidez, mesmo ignorando o fato, somos conscientes da necessidade de mudanças. É hora de acordarmos para os princípios fundamentais. O nosso maior problema é ainda acreditar que alguém fará isso por nós, que não precisamos fazer nada. Tudo é uma questão de escolha, e meu desejo é que façamos a escolha certa. E todo esse processo (necessário) dependerá somente a partir do desejo da maioria. Na maior parte de nossas vidas, somos instigados a usar nosso conhecimento/experiência apenas para vender ou obter vantagem, já está mais do que na hora de usarmos nosso dom com mais cuidado e sabedoria.
Pense nisso:
“Se todos os insetos viessem a desaparecer da terra, em 50 anos toda vida no planeta desapareceria. Se todos os seres humanos desaparecessem da terra, em 50 anos todas as formas de vida floresceriam.”
Jonas Salk
Pense nisso:
“Se todos os insetos viessem a desaparecer da terra, em 50 anos toda vida no planeta desapareceria. Se todos os seres humanos desaparecessem da terra, em 50 anos todas as formas de vida floresceriam.”
Jonas Salk
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